As duas metades de um limão e uma laranja

         






  CAPÍTULO 1: DIFERENTES METADES.


          *Nos sonhos de Izac* Eu pessoalmente gosto de marés tranquilas, sentar a beira da praia sem me preocupar com ondas fortes, e no meu tempo eu me achego ao mar, sem pressa, aprecio cada momento como se fosse único, sinto o sol no rosto, sinto a maciez da areia onde sento, entre minhas mãos, com calma vou até o mar e me banho metade do corpo, pego água com as mãos e jogo na cabeça, e isto parece o paraíso… Mas na verdade estou no meio do oceano sendo afogado, avisto um navio ao longe e nada posso fazer, as águas são escuras e tenebrosas, com ondas gigantes que me dão intervalos de dois segundos para respirar e logo me cobrem. Estou dentro desse turbilhão, já bebi litros e litro de água salgada, não morro, apenas continuo a agonizar e a desejar estar longe daquele lugar.

          Izac ao abrir os olhos nota logo um teto branco, correndo os olhos ele chega até o início das paredes e repara em algumas mobílias e quadros, olhando para o lado ele vê a sua companheira e namorada Alícia, se lembra dos bons momentos que passaram juntos, das risadas, mas o que mais vem na sua mente é o quanto ele está cansado disso, ele sente como se tivesse perdido algo muito importante na sua vida, sente uma irritação, uma inquietude na sua alma seus dias tem sido tediosos, faz tempo que ele não tem se dedicado a nada, isso porque tem dedicado a maior parte do seu tempo ao trabalho e a companheira. Ele se levanta, meio emburrado, sai do quarto e se chega à varanda do andar,  se coloca a olhar a vista para o mar, o céu azul dizia para ele que o dia a ia ser de sol, iria ser um dia lindo como de costume , ele respirou fundo e sentiu a brisa fresca, se colocou em estado de meditação, apenas sentiu, logo depois foi colocar água para esquentar na máquina, e foi para o banheiro escovar os dentes, até aí o seu dia estava começando a melhorar, seu corpo estava começando a se sentir confortável com o que tinha acabado de planejar. Iria escovar os dentes, fazer um café gourmet super delicioso, iria tomar enquanto lia um livro, e como era o seu dia de folga iria passar ele todo jogando seu jogo favorito, talvez pela tarde iria dar uma volta de bike na pista de skate, ou tocar o violão na beira da praia como fazia antigamente, mas de repente sua namorada o abraça por trás, um abraço demorado, exagerado, que durou lá seus quinze minutos “bom dia”disse ela, recebendo apenas uma resposta baixa, começou a beijar o rosto dele com várias bitocas “sabia que eu te amo?”dizia ela sem receber nenhuma resposta de volta, e voltava a o abraçar, depois de alguns minutos dizia que tivera um sonho ruim, onde estava sozinha, e quando acordou e não o sentiu do lado da cama se desesperou, e foi logo em busca dele "Foi só um sonho ruim" dizia ele. 

_ Alícia - O que vamos fazer hoje? 

_ Izac - Você vai trabalhar e eu pretendo passar o dia em casa, estou com vontade de jogar 

_ Alícia - Eita eu nem te disse, consegui mudar minha folga pra hoje, pra podermos fazer alguma coisa juntos, ultimamente não temos tido tanto tempo 

_ Izac - Por que não avisou? 

_ Alícia - Foi tão corrido ontem que eu acabei esquecendo 


          Eles já tinham um ano de namoro, ambos trabalhavam e os dias de folgas não se batiam, mas Alícia sempre conseguia mudar as suas folgas para passar um dia com o namorado, às vezes ela fazia, às vezes era ele quem fazia, mas ultimamente ele andava dando muitas desculpas, então fazia mais ou meno umas três semanas que eles não tinham o dia todo só para eles, em compensação toda noite eles assistiam algumas coisa juntos, porém já fazia um tempo que eles não saiam para um bar ou restaurante, segundo Izac ele dizia que ela não gostava de nada, por esse motivo nem chamava mais.  Então eles escovaram os dentes, tomaram café da manhã, e enquanto comiam Izac se mutilava de pensamentos que ficavam se opondo todo o tempo, ele pensava consigo mesmo que iria falar para ela que queria passar o dia sozinho, mas ela já tinha tirado a folga só pra passar o dia com ele, e se ele fizesse isso ela se sentiria mal, "Não quero ser ruim com ela e deixar de retribuir seu esforço, mas era pra ela ter avisado". A sua mente o domava, o deixava submisso e tolerante, tudo isso porque não queria decepcionar a parceira que era uma pessoa tão boa e que o amava tanto, por muitas vezes ele se perguntava o que tinha de errado com ele , porque não conseguia ama-la de volta, porque não sentia a mesma coisa por ela, motivo ele tinha, mas não conseguia, isso não mudava o fato de que ele gosta dela, para ele, ela era como uma joia rara, difícil de encontrar, e que já tem em si um valor que você não encontra em qualquer lugar. E nesses pensamentos ele ia se afundando, enquanto ela comia em silêncio sem pensar na possibilidade de que poderia estar sufocando o rapaz.

          Após terminarem de comer o diálogo sobre o que iriam fazer voltou, e ela o perguntava o que foi que ele decidiu, e ele já saturado de tomadas de decisões respondeu "Decida você, é você quem quer fazer algo". Ela logo o respondeu de volta com um "E você não quer não?" E ele respondeu que na verdade tinha planejado passar o dia sozinho, jogando e fazendo as coisas que gosta, a folga dele o pegou de surpresa.

_Alícia - Bom, então vá lá fazer as suas coisas, irei ficar no quarto lendo um pouco 

_ Izac - Posso mesmo?

_ Alícia - Claro, faz tempo que você não faz nada sozinho, acho que você precisa tirar um tempo pra si, só não esqueça de mim - Disse ela, finalizando com um beijo em seus lábios finos 

          * Nos sonhos de Alícia naquela mesma madrugada * “A coisa que mais odeio nesse mundo é me sentir sozinha”- Diz ela sozinha dentro de uma floresta escura, faz alguns dias que ela desbrava solitariamente as profundezas dessa floresta, tudo que se pode ver são árvores, matos e musgos sobre as pedras, e dentro dessa solidão ela clama pela companhia do seu namorado, ela grita seu nome alto, pedindo ajuda, e então começa a correr desesperadamente, seu peito se enche de um vazio esmagador, as lágrimas se forçam a sair de seus olhos como quando esborram de uma jarra que já está cheia, ela não sabe se respira ou se chora, sem prestar atenção no caminho que seguia ela escorrega e cai de um pequeno morro, com a perna machucada e impossibilitada de andar ela e encolhe em posição fetal,  lamenta o seus dias como alguém que acabara de perder tudo, e chora, soluça, clamando por uma presença humana que conforte o seu desespero, logo ela lembra  do seu namorado, e abraça um tronco de árvore como se fosse o próprio, enquanto toda a escuridão vai tomando conta do seu arredor. De repente ela abre os olhos desesperada, com o coração apertado e derramando uma uma lágrima por um dos olhos, ela nem sequer prestou atenção ao seu arredor, logo virou o rosto para ir de encontro com a pessoa quem em suas expectativas deveria estar bem ali ao seu lado, quando não o sente na cama ela se coloca a chorar  levemente, sem lágrimas, apenas sussurros e um aperto enorme no peito, logo ela toma a iniciativa de se levantar e ir a procura de seu amado, rezando para não encontrar um bilhete anunciando o fim de seu relacionamento e o início da sua mais nova solidão. 

          Ao sair em passos lentos, logo o seu coração acalma ao ver a chaleira ligada à tomada, era sinal de que ele estava a fazer o seu café matinal como de costume, logo o seu peito encheu de alegria. Andando mais um pouco ela viu as costas de um homem grande, utilizando uma regata  cor de creme, era charmoso, o cabelo recém cortado, orelhas redondinhas e pele parda quase clara, estava escovando os dentes, e como uma noiva que esperava ansiosa pelo retorno do marido que passara um longo período fora de casa a trabalho, ela abraçou a suas costas com muito alívio e saudade, e a única palavra que vinha a mente era um “ Eu te amo “ que vinha do fundo do seu coração.

          Logo após o café da manhã e a resolução sobre o que fazer hoje, cada um pegou o seu destino alternativo, diferente das rotinas que levavam até o momento, em um ano de namoro, todo o tempo que tinham livres era passado juntos, com Izac como o farol que indicava o destino de cada saída, de cada refeição, de cada assunto a ser falado, de cada música a ser ouvida, de cada sabor de sorvete a ser provado,  de cada lanche a ser pedido, de cada filme a ser assistido, e de cada palavra a ser dita. Dentro desta conclusão Izac decidiu sair o mais rápido possível de casa, enquanto ela se trancou em seu quarto e se colocou a ler, porém a sua concentração estava bem baixa naquele dia, seus pensamentos só a levavam para o mesmo lugar, “Ele estava estranho… por que disse aquilo? Será que está desgostando de mim?”. Com meia hora de leitura ela saiu do quarto com o pretexto de beber água, abriu a geladeira, pegou uma caneca e se serviu, enquanto bebia andava a passos tímidos, andou por todos os cômodos da casa e pôde ter a certeza de que ele não estava mais em casa, decidiu mandar uma mensagem perguntando onde ele tinha ido, não tinha confirmação de recebimento, então ligou,  ela ouviu o celular tocar no quarto em que haviam dormido juntos, e suspirou, não sabia o que fazer daquele dia, passou toda a sua vida e não adquiriu hobbies nem interesses profundos, a única coisa que sabia fazer era ler ou assistir romances, em tempos antigos conseguia se divertir saindo com as amigas, mas hoje em dia, estando praticamente casada não tinha mais ânimo para essas coisas. 

          Enquanto isso Izac saiu de casa apenas com  a roupa do corpo, um cartão de débito e sua bmx, primeira coisa que fez foi passar na mercearia para comprar um energético para acelerar mais o seu dia, estava um dia belo, o céu estava de um azul  claro nítido, a brisa estava fresca, o som das ondas navegando para lá e para cá no lindo litoral da sua cidade, haviam muitas pessoas, muitos ambulantes, a praia estava colorida de guarda-sóis e biquínis de infinitas cores, os rapazes brincavam de equilibrar bola e os casais de raquete, os cães adormeciam na sobra de algum coqueiro, os aromas também eram diverso, milho, carne, sal, cerveja, bronzeador, pratos sofisticados dos restaurantes de beira de praia, perfumes importados e baratos, muitas vozes felizes, risadas saudáveis, as pessoas conversavam entre si e em sua cabeça brotavam pensamentos de admiração por aquelas interações “ É incrível como cada pessoa tem toda uma vida vista da sua própria perspectiva “. Ele era um rapaz inteligente, cheio de sonhos e questionamentos, gostava sempre de fazer coisas novas e conhecer gente, gostava de tudo que soasse como novidade, sempre admirava pessoas alternativas, com estilos diferentes e fora do padrão, não tinha preconceito com nada. Encostou com os caras da pista de skate e lá ficou maior parte do seu dia, mandando manobras e tomando energético, quando dava fome comia um espetinho, era um cara legal e fazia amizade muito facilmente , não estranhava ninguém e ninguém o estranhava, logo mais foi para o píer dar uns saltos na água, e lá até conheceu uma mina que o fez pensar que ela poderia ser a sua namorada se já não fosse comprometido, mina firmeza, interessante e aberta a tudo, sempre tinha algo em mente para falar, mas ele sempre se manteve fiel a sua parceira, ele a valorizava muito, mas se sentia sufocado, era como se todo amor que ela desse a ele adormecesse os seus próprios sentimentos, não conseguia entender muito bem. E assim ele gastou toda a sua manhã, a única coisa que lhe faltava fazer era jogar, mas não queria voltar para casa, então telefonou para um de seus amigos mais chegado e o convidou para almoçar fora, o mesmo pagaria o almoço, então foi para a casa do seu amigo para tomar um banho e se trocar, e logo em seguida foram para um restaurante de comida regional no centro da cidade, as ruas estavam muito movimentas, era horário de pico, era o momento onde a maioria das pessoas da cidade saiam do trabalho para ir em casa, ou para resolver alguma coisa as pressas no horário de almoço, ou até mesmo saiam apenas para pegar um ar, a grande maioria saia para almoçar nos restaurantes locais, por ali as comidas eram baratas, os supermercados alimentavam os seus próprios funcionários, porém empresas de outros seguimentos eram obrigadas a fazer pacotes de almoço com restaurantes, e assim  maioria dos restaurantes eram decorados cm fardas de cores diferentes, ao entrar no “Café da família”eles logo se depararam com uma fila generosa e mesas formadas por grupos de fardas diferentes, estavam ali a galera da vidraçaria, das papelarias que trabalhavam com impressões de plantas, tinha até mesmo atletas das escolas de esporte. Entram na fila, pegaram um prato e se serviram, Izac era um homem forte e saudável, comia bem, seu amigo já era mais franzino, trabalhava de técnico de computadores, era magro, tinha o rosto fino e cabelos pontudos e bagunçados, usava óculos redondo e tinha um pequeno cavanhaque, seu nome era Thiago, era um cara de personalidade reservada, crítico e sério, tinha um grupo de amigos muito específico pois não se dava muito bem com pessoas sensíveis e muito morais que não eram capazes de entender as suas piadas de duplo sentido. 

          Após o aolmço eles voltaram para casa de Thiago para então se divertirem jogando,  













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